Os custos de produção de frangos e suínos caíram pelo segundo mês consecutivo em junho, trazendo certo alívio para produtores dos principais polos agropecuários do país. Segundo a Central de Inteligência da Embrapa, o valor do quilo do suíno vivo chegou a R$ 6,25 em Santa Catarina, o menor de 2025 até agora. No Paraná, o frango de corte atingiu R$ 4,72, também o menor valor do ano.
Essa redução vem sendo puxada, principalmente, pela queda nos preços dos grãos usados na alimentação animal, especialmente milho e farelo de soja. Para entender melhor esse cenário, conversamos com Marcelo Miele, pesquisador da área de socioeconomia da Embrapa Suínos e Aves, que reforçou a importância do monitoramento constante dos custos e da estratégia na gestão rural.
“A alimentação animal representa a maior parte dos custos na suinocultura e na avicultura. A recente queda nos preços desses insumos tem sido determinante para o recuo dos custos totais”, destacou Miele.
Ração mais barata puxa os custos para baixo
De acordo com o especialista, o movimento de queda nos custos começou em maio e segue até agora, refletindo o comportamento do mercado de grãos. Mesmo com alguns insumos pressionando para cima, como o custo dos pintinhos e os juros de capital de giro, a redução da ração conseguiu equilibrar o cenário.
O custo total calculado pela Embrapa leva em conta os valores das agroindústrias, cooperativas e dos produtores integrados.
“É o custo cheio, e o fator mais relevante que explica essa queda é a alimentação animal, que vem compensando outros aumentos recentes”, explicou o pesquisador.
Apesar da trégua nos preços da ração, outros itens seguem com tendência de alta, como materiais sanitários, energia, logística e mão de obra. O produtor deve, portanto, continuar atento à gestão dos recursos, buscando eficiência sem abrir mão do bem-estar animal e da biosseguridade.
Expectativas para os próximos meses e impactos externos
Segundo Miele, é possível que o cenário favorável para os custos da ração continue no curto prazo. No entanto, ele evita previsões de médio ou longo prazo, por depender de fatores climáticos e do comportamento internacional do mercado de grãos.
“Estamos em um momento de alívio, sim, mas que vem após um período de fortes elevações, especialmente nos últimos meses de 2024, quando o milho teve alta significativa”, observou.
Esse recuo atual pode ser uma recomposição dos patamares anteriores, e não exatamente uma nova tendência de longo prazo.
Outro ponto de atenção é o impacto das tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. Segundo Miele, a palavra-chave neste momento é incerteza, pois ainda não se sabe como essas medidas podem afetar o câmbio, os custos de importação de insumos ou a competição global entre países exportadores.
Cenário exige gestão estratégica e olho no mercado
O pesquisador alerta que, apesar de suínos e frangos estarem menos expostos que a carne bovina nesse cenário de tarifas, a volatilidade global pode mexer com toda a cadeia produtiva.
“Se os Estados Unidos aumentarem a demanda por grãos internos, isso pode impactar o Brasil indiretamente, influenciando os preços de importação e exportação e, assim, afetando o custo de produção por aqui”, explicou.
Além disso, ele citou o crescimento das exportações brasileiras de ovos para os EUA devido a questões sanitárias locais. Com o mercado internacional em constante transformação, o Brasil precisa seguir competitivo e buscar acordos que abram novas oportunidades.
Para o produtor no campo, o momento exige cautela.
“É hora de aproveitar o alívio nos custos, mas sem perder o foco na gestão eficiente. Isso passa por planejamento financeiro, avaliação constante dos custos variáveis e atenção ao cenário externo”, finalizou Miele.
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