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Brasil deve aumentar exportação de carne suína a mercados de alto valor agregado

Países como Japão, México e Malásia já anunciaram embargo à proteína espanhola por conta de surto de peste suína. Brasil aparece como substituto natural, diz analista

Brasil deve aumentar exportação de carne suína a mercados de alto valor agregado

Japão, México e Malásia são alguns dos países que já anunciaram a suspensão das importações de carne suína da Espanha por conta de novos casos de Peste Suína Africana (PSA).

O embargo atinge diretamente o terceiro maior produtor mundial, que movimenta quase 9 bilhões de euros ao ano com as exportações.

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De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Henrque Iglesias, a redução da oferta espanhola pode redirecionar a demanda global e gerar um importante espaço à proteína brasileira. Assim, o país tem a chance de fortalecer sua presença em mercados exigentes e de alto valor.

Segundo o especialista, a tendência é que países como o Japão, considerado um dos mais valorizados do planeta, e o México, parceiro crescente do Brasil, procurem rapidamente novos fornecedores confiáveis e com padrões sanitários sólidos.

“Nesse cenário, o Brasil aparece como forte candidato à ampliação das vendas externas. O país não registra casos de Peste Suína Africana há décadas e segue mantendo rígidos protocolos de biosseguridade, o que reforça sua competitividade no mercado internacional”, destaca Iglesias.

A restrição à carne espanhola já atinge mais de 120 mercados, indicando um impacto amplo no comércio mundial do setor. Para o Brasil, essa mudança cria caminhos que podem elevar significativamente a participação da suinocultura nacional no comércio global.

O México, por exemplo, renovou acordos com o Brasil e reduziu tarifas de vários produtos, incluindo a carne suína. O país já vinha aumentando suas compras ao longo do ano e agora pode intensificar essa demanda. A mudança pode representar ganhos de volume e receita para os frigoríficos brasileiros, além de consolidar relações comerciais mais fortes com um dos mercados emergentes mais promissores.

A União Europeia também pode redirecionar sua cadeia de fornecimento caso ocorram novos focos dentro de granjas comerciais espanholas. Nesse caso, a Espanha concentra sua produção no atendimento interno do bloco, reduzindo a oferta para o restante do mundo. A lacuna aberta no mercado global tende a ser ocupada por países com produção estável, qualidade reconhecida e capacidade de entrega contínua, atributos que o Brasil reconhecidamente possui.

A confiança sanitária é, hoje, um dos principais trunfos da suinocultura brasileira. Iglesias ressalta que a ausência de focos de Peste Suína Africana coloca o país em situação privilegiada em comparação a nações europeias e asiáticas, que enfrentaram sucessivas crises nos últimos anos.

O analista detalha que além do fator sanitário, o Brasil possui custo competitivo de produção e condições favoráveis para ampliar a oferta rapidamente. “A indústria brasileira investe em tecnologia, bem-estar animal e padronização dos processos, o que garante produtos de alto padrão para mercados exigentes como Japão e Coreia do Sul. Esses atributos tornam a proteína nacional uma alternativa segura diante da instabilidade vivida pelos produtores espanhóis”, detalha.

Mesmo assim, o avanço das exportações depende da manutenção de acordos, da ampliação de habilitações sanitárias e da resposta rápida às demandas globais. A cadeia suinícola brasileira entende que cada nova oportunidade exige planejamento, profissionalização e investimento em sustentabilidade. O fortalecimento contínuo desses pilares será fundamental para ampliar o protagonismo do país nos próximos anos.