CUIDADOS COM A GRANJA

Quais os riscos e como identificar a peste suína clássica? Pesquisador tira dúvidas

Ocorrência no Piauí causou a eliminação de mais de 60 animais. Pesquisador da Embrapa também detalha as diferenças entre a doença clássica e a africana

A confirmação de um foco de peste suína clássica no município de Porto, a cerca de 170 km de Teresina, acendeu um alerta sanitário no Piauí no fim de dezembro de 2025.

A ocorrência levou à interdição de uma propriedade e a eliminação de mais de 60 suínos. Diante do risco de disseminação da doença, o governo do estado decretou emergência zooanitária por 180 dias.

O caso também traz à tona a discussão sobre a diferença da doença clássica para a do tipo africana, que afetou a Espanha no final de novembro do ano passado. De acordo com o pesquisador da Embrapa Suínos Luizinho Caron, clinicamente elas são semelhantes e taxadas como síndromes hemorrágicas.

“Mas são vírus bem diferentes. A peste suína clássica é um vírus RNA, um vírus envelopado e facilmente degradado no meio ambiente. Já a peste suína africana é um vírus DNA, um vírus bastante grande e que tem origem em um carrapato do continente africano e que faz um ciclo nos suínos selvagens daquele continente”, detalha.

Prevenção da doença

O especialista da Embrapa ressalta que os cuidados com a biosseguridade continuam sendo a principal solução para evitar peste suína.

“O produtor que possui granja ou mesmo um criatório de suínos só deve adquirir reprodutores de granjas GRSC, que são as registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária e que fazem testes periódicos para comprovar que são livres de algumas doenças importantes, inclusive a peste suína”, ressalta.

Segundo ele, o suinocultor também precisa redobrar cuidados com a tela e cerca de proteção em volta da instalação, bem como só aceitar caminhões devidamente lavados e desinfetados para o transporte dos animais.

O especialista destaca que a peste suína clássica é transmissível, principalmente, por meio de suínos contaminados. “Então, a aquisição de suínos de origem duvidosa é um importante fator para a disseminação da doença.”

Já para os pequenos criadores, que mantém animais no fundo de quintal, Caron destaca a necessidade de mantê-los isolados de suínos outros propriedades, assim como se atentar para adquirir apenas os que sejam conhecidamente livres de doeças.

“Fornecer um alimento de qualidade e não restos de comida porque podem ser fonte de contaminação e trazer doenças para os suínos, sendo que, em muitos estados, fornecer restos para esses animais é proibido”, complementa. De acordo com ele, grande parte da disseminação da doença na Ásia teve os restos de comida como fonte.

Caron instrui que ao suspeitar de contaminação, o produtor deve imediatamente contactar o serviço veterinário oficial para que especialistas possam realizar análises do ambiente e identificar se os animais realmente possuem os sinais clínicos da doença, como febre alta, hemorragias, manchas avermelhadas na parte ventral e orelhas, diarreia com sangue, abortos, mortalidade elevada e geração de leitões com doenças congênitas.