MERCADO

Preço de suínos na UE mostra queda acentuada no início do ano

Produção de carne suína do bloco cresceu 4% entre janeiro e outubro de 2025

Pneumonia Enzoótica: entenda como a doença pode afetar os suínos da sua granja
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Os preços médios dos suínos na União Europeia (UE) tiveram queda acentuada neste início de ano, pressionados pela combinação de surtos contínuos de doenças e uma demanda enfraquecida. Segundo relatório do Conselho de Desenvolvimento da Agricultura e Horticultura do bloco, o cenário de baixa nas cotações ocorre em meio a um aumento consistente da oferta: a produção de carne suína do bloco cresceu 4% entre janeiro e outubro de 2025 na comparação anual, totalizando 18,2 milhões de toneladas, impulsionada por maiores níveis de abate e carcaças mais pesadas.

A pressão sobre os valores intensificou-se com o surto de Peste Suína Africana (PSA) na Espanha, que acelerou a tendência de queda. O preço de referência do suíno na UE recuou para US$ 1,72 o quilo na semana encerrada em 11 de janeiro, o nível mais baixo desde março de 2022. A situação no mercado espanhol foi particularmente severa: antes do anúncio da doença no fim de novembro, os preços giravam em cerca de US$ 2,02, despencando para US$ 1,53 em apenas seis semanas.

O crescimento da produção europeia foi liderado pela própria Espanha, com alta de 7%, seguida por Polônia, Dinamarca e Itália. No comércio exterior, as exportações do bloco subiram 3% até novembro, somando 3,68 milhões de toneladas, embora os envios para a China – principal mercado – tenham recuado 5%. Em contrapartida, as vendas para o Vietnã saltaram 21%, compensando parte da desaceleração chinesa e refletindo a escassez de oferta doméstica no país asiático.

Analistas alertam que a diferença de preços entre o Reino Unido e a UE atingiu o maior nível em cerca de dez anos, o que aumenta o risco de o produto europeu substituir a produção britânica no varejo. Além disso, embora a China tenha confirmado taxas antidumping definitivas em dezembro com alíquotas menores, o que teoricamente melhora a competitividade da UE, os riscos estruturais permanecem elevados para os exportadores, especialmente para produtos de miúdos que têm poucas alternativas de mercado. A expectativa de curto prazo é de manutenção da pressão sobre os preços por causa da oferta robusta e das incertezas sanitárias.