PERSPECTIVAS

Suinocultura passa por ajustes nas cotações, mas mantém cenário favorável para 2026

Com mercado mais maduro e exportações diversificadas, os criadores mantêm a confiança em um ano de margens positivas e consumo em alta

Suinocultura: presidente da ABCS cita otimismo para o setor em 2024
Foto: Envato

A suinocultura brasileira inicia o ciclo de 2026 demonstrando equilíbrio operacional e maturidade de mercado. Mesmo com a retração nos preços pagos ao produtor observada na primeira quinzena de fevereiro, o cenário para a atividade permanece positivo.

Segundo a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), os fundamentos que sustentam o setor estão consolidados, o que deve garantir a estabilidade das margens ao longo do ano.

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Segundo o presidente da entidade, Losivanio Luiz de Lorenzi, a correção nos preços neste primeiro bimestre é vista como um movimento sazonal recorrente do mercado.

De acordo com ele, historicamente o valor do suíno vivo atinge picos em dezembro, impulsionado pela demanda das festividades. Na virada do ano, a recomposição de estoques no varejo e o comportamento mais retraído do consumidor pressionam as cotações. No entanto, o patamar atual é superior ao de anos anteriores: no sistema integrado, o preço médio subiu de R$ 6,55 para R$ 6,65, indicando uma base de sustentação mais robusta para a cadeia produtiva.

No mercado integrado e nas cooperativas, as negociações têm ocorrido na média de R$ 6,00, com picos regionais de R$ 6,80. Lorenzi diz que a expectativa é de uma recuperação gradual das cotações nos próximos meses, à medida que o consumo doméstico se estabiliza e a oferta se ajusta à demanda das agroindústrias.

O presidente da ACCS considera que para os produtores independentes, os indicadores de 2025 reforçam a resiliência da atividade. Com um custo médio de produção de R$ 6,32 frente a um preço de venda de R$ 8,36, o suinocultor encerrou o último ciclo com rentabilidade favorável.

Outro ponto estratégico destacado por Lorenzi é o crescimento da produção via ganho de eficiência: em vez de expansão física, o setor focou na ocupação de estruturas ociosas, melhoria de manejo e aumento no peso médio de abate, otimizando os ativos já existentes.

No cenário internacional, o Brasil demonstrou alta capacidade de adaptação. A redução nas importações chinesas foi compensada pela abertura e ampliação de mercados estratégicos, como México, Argentina e Japão. No último ano, o país exportou cerca de 1,51 milhão de toneladas, estratégia essencial para diluir riscos e evitar o excesso de oferta no mercado interno.

Domesticamente, a aceitação da proteína suína segue em ascensão. O consumo per capita atingiu 20,2 quilos, refletindo os investimentos do setor em qualidade e percepção de valor nutricional. A competitividade da carne suína em relação à bovina continua sendo um diferencial importante no varejo, capturando fatias de mercado especialmente em momentos de renda mais pressionada.

O otimismo para o restante do ano é reforçado pelo comportamento dos custos de produção. Com a safra de grãos indicando bons volumes, a expectativa é de estabilidade nos preços das rações — principal componente do custo da atividade.

Para o presidente da ACCS, o conjunto desses fatores permite uma visão estratégica e otimista. Assim, a suinocultura entra em 2026 com um perfil mais ajustado, mercados diversificados e demanda interna crescente, permitindo ao produtor planejar o futuro da porteira para dentro com maior previsibilidade e segurança.

*Sob supervisão de Victor Faverin