ATENÇÃO, SUINOCULTOR!

Prazo para adequação de granjas do RS às novas exigências de biosseguridade expira em maio

Regras sanitárias são essenciais para a proteção do rebanho e a manutenção do status livre de peste suína clássica

Prazo para adequação de granjas do RS às novas exigências de biosseguridade expira em maio

A suinocultura do Rio Grande do Sul vive uma contagem regressiva estratégica. As granjas comerciais do estado têm até o final de maio para se adequarem integralmente às exigências da Instrução Normativa nº 10. A medida é um passo decisivo para reforçar a proteção do rebanho gaúcho e assegurar a competitividade de uma cadeia que movimenta bilhões de reais anualmente.

O rigor sanitário se justifica pelos números: o Brasil superou a marca de 60 milhões de suínos abatidos no último ano, com uma produção que ultrapassa 5,5 milhões de toneladas de carne. No Rio Grande do Sul, vice-líder nas exportações nacionais, a conformidade com as normas é essencial para preservar o status de área livre de Peste Suína Clássica (PSC), conquistado há uma década e fundamental para a manutenção dos embarques globais.

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A regulamentação atualiza os critérios de biosseguridade com foco na estrutura física e nos fluxos operacionais das propriedades. Entre os pontos centrais estão o isolamento perimetral dos galpões, a instalação de barreiras sanitárias rigorosas, o controle de acesso de veículos e pessoas, além de protocolos específicos para o carregamento e descarregamento de animais.

As normas também padronizam o armazenamento de ração e o manejo de insumos, reforçando a obrigatoriedade do vazio sanitário entre os lotes. Com o avanço da tecnificação e a alta densidade produtiva no estado, a padronização busca evitar que falhas individuais comprometam a sanidade regional.

Segundo autoridades sanitárias, o objetivo é prevenir desde doenças de alto impacto econômico até contaminações rotineiras que prejudicam a conversão alimentar e a produtividade.

Em regiões com forte concentração de suinocultura, como o noroeste gaúcho, prefeituras já adotam medidas para auxiliar produtores na adequação às normas.

No município de Três Passos, por exemplo, foi criado um programa municipal de incentivo à biosseguridade. A iniciativa oferece até 15 horas-máquina para obras de adequação nas granjas, além de subsídio financeiro anual que pode ultrapassar R$ 4.800 por produtor, durante seis anos.

O objetivo é reduzir o impacto financeiro das adaptações estruturais e dar mais segurança para que as famílias rurais mantenham e ampliem seus negócios. Segundo gestores locais, o incentivo público fortalece a confiança do produtor e estimula novos investimentos na atividade.

Com quase 12 milhões de cabeças abatidas no último ano e exportações para mais de 80 países, o Rio Grande do Sul entende que a sanidade é seu principal ativo. Nas granjas de terminação, produtores já relatam que, embora as mudanças exijam organização e aporte de capital, os benefícios aparecem rapidamente na redução da mortalidade e na melhoria da performance do plantel.

Em um mercado internacional cada vez mais exigente, a biosseguridade deixou de ser uma opção técnica para se tornar uma exigência comercial básica. A adequação à IN 10 não apenas protege a granja individualmente, mas blinda toda a economia gaúcha contra barreiras sanitárias globais.

*Sob supervisão de Victor Faverin