A família Santos ajudou a transformar a suinocultura em Glória de Dourados, em Mato Grosso do Sul. Com apenas 330 animais, eles começaram em 1996 em um galpão simples, com manejo totalmente manual.
Três décadas depois, o que era um pequeno módulo rural transformou-se em uma estrutura com capacidade para 38 mil suínos, ou seja, o número de cabeças cresceu 115 vezes, alinhado à tecnologia de ponta e a um processo de sucessão familiar já em curso.
A trajetória de José Anderson dos Santos, o “Giló”, reflete a evolução do setor no Brasil. Filho de produtores, ele cresceu ajudando na lida do leite e da horticultura, mas foi em 1996 que decidiu mudar o rumo da propriedade.
Com o apoio do pai, Giló assumiu o primeiro financiamento para instalar o módulo inicial. O começo foi marcado por incertezas e o trabalho pesado da alimentação feita em carriolas, sem o auxílio de funcionários.
Crescimento com risco e visão empreendedora
A primeira grande virada aconteceu em 2001, com a construção de um galpão automatizado para 1.600 animais. A introdução da alimentação por linha e a melhoria na ambiência representaram um salto produtivo. Embora o investimento tenha exigido coragem diante do endividamento, abriu as portas para a profissionalização da atividade da porteira para dentro.
Ao longo dos anos, a família expandiu as estruturas de forma gradual. Em 2008, novos investimentos consolidaram o perfil de gestor do produtor, que passou a focar em indicadores zootécnicos e planejamento financeiro.
Hoje, o complexo inclui módulos de terminação climatizados, sistemas de pressão negativa e monitoramento remoto. Somando unidades próprias e arrendadas, a capacidade total se aproxima de 38 mil cabeças.
Gestão de equipe e integração
Atualmente, a operação conta com 12 colaboradores organizados em casais responsáveis pelos módulos produtivos. O modelo de negócio prioriza a capacitação contínua e a padronização do manejo.
Para Giló, a parceria com a integradora Seara foi fundamental, garantindo assistência técnica e a previsibilidade de receita necessária para atravessar momentos de maior risco financeiro.
O reconhecimento desse esforço veio em forma de premiações: em 2024, a propriedade foi destaque no SuperAgro, reforçando a eficiência operacional alcançada pela família. A gestão profissional, com divisão clara de funções e controle rigoroso de custos, tornou-se o alicerce para sustentar o crescimento do patrimônio.
Sucessão e legado no campo
A nova geração já escreve os próximos capítulos dessa história. Vinícius, de 18 anos, cresceu no dia a dia da granja e atualmente cursa Medicina Veterinária. Recentemente, ele assumiu a titularidade de uma das unidades da família, iniciando oficialmente sua caminhada como produtor integrado.
Para Giló, a sucessão está sendo construída com preparo técnico e responsabilidade. O objetivo é garantir que o negócio continue crescendo alinhado à modernização da suinocultura mundial.
Trinta anos após o primeiro galpão, a família Santos prova que o sucesso no campo é fruto de coragem e gestão. Mais do que um negócio lucrativo, a suinocultura tornou-se o legado de uma vida dedicada à produção de alimentos.
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*Sob supervisão de Victor Faverin
