
O uso de DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) na nutrição animal deixou de ser uma tendência para se tornar uma ferramenta de sobrevivência econômica nas granjas brasileiras. Com o avanço da indústria de etanol de milho, o insumo evoluiu de um subproduto úmido para um ingrediente seco, padronizado e de fácil armazenamento.
Com níveis proteicos que orbitam os 32%, o DDGS oferece a flexibilidade necessária para o produtor formular dietas mais baratas, substituindo parcialmente o milho e o farelo de soja sem abrir mão da performance zootécnica.
Na prática, a inclusão desse coproduto exige precisão no manejo nutricional. Por possuir um perfil rico em fibras e energia, o DDGS demanda uma curva de adaptação, especialmente em fases críticas. O produtor que domina essa inclusão consegue reduzir o custo do quilo produzido, ganhando competitividade em um cenário de margens apertadas e insumos tradicionais valorizados.
Estratégia na suinocultura: da creche à terminação
Na suinocultura, os resultados têm sido consistentes no rendimento de carcaça e na qualidade dos cortes. No entanto, o desafio reside na fase de creche (21 a 70 dias), onde o sistema digestivo dos leitões ainda é imaturo. A recomendação técnica é iniciar com níveis baixos de inclusão, progredindo conforme o animal ganha maturidade enzimática.
Um DDGS de alta qualidade e bem processado garante maior digestibilidade, fator que reflete diretamente no ganho de peso diário (GPD). Nas fases de crescimento e terminação, a margem de inclusão é maior, mas especialistas alertam para a necessidade de monitoramento nutricional para evitar que o excesso de fibras comprometa o desempenho final antes do abate.
Limites técnicos e desempenho na avicultura
Na avicultura, o uso de DDGS avançou amparado por ensaios metabólicos rigorosos que determinaram com precisão a energia e os aminoácidos disponíveis. Estudos indicam que, em níveis de inclusão de até 10%, o desempenho dos frangos de corte permanece estável, sem alterações significativas no ganho de peso ou na conversão alimentar.
Testes com níveis mais elevados, entre 15% e 20%, mostraram oscilações leves na performance, sugerindo que o equilíbrio ideal depende do custo de oportunidade do ingrediente frente ao farelo de soja. Para o avicultor, o DDGS funciona como um “coringa” na formulação, permitindo ajustes rápidos na dieta conforme as oscilações de preço das commodities no mercado.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo
