
A produção de proteína animal enfrenta hoje um dos maiores desafios sanitários de sua história em escala global. O Brasil, como líder na exportação de carne de frango e grande player na carne suína, mantém seus plantéis livres de enfermidades graves que afetam outros países. No entanto, o período de festas e férias acende um sinal de alerta vermelho para todos que atuam no setor produtivo.
Momentos de descanso, férias coletivas e viagens representam um aumento significativo no trânsito de pessoas entre regiões e fronteiras internacionais. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), destaca em nova campanha que esse deslocamento é um fator de risco crítico. O vírus não respeita fronteiras e pega carona com quem retorna à zona rural.
A proteção da sanidade nacional depende diretamente da disciplina de quem vive o dia a dia da granja (“da porteira para dentro”). Doenças como a Influenza Aviária e a Peste Suína Africana (PSA) possuem alto poder de disseminação e impacto econômico devastador. A prevenção não é apenas uma regra técnica, mas um ato de defesa do patrimônio do produtor e da economia do país.
O perigo invisível que viaja na bagagem
Muitas vezes, o risco de contaminação é subestimado por parecer invisível aos olhos de quem retorna de uma viagem. O vírus pode estar alojado em objetos simples do cotidiano, como calçados, roupas usadas e malas que transitaram por locais com circulação de vírus. A falta de higienização adequada desses itens antes do contato com a granja pode ser o estopim para um surto.
A situação exige atenção redobrada quanto aos alimentos trazidos de fora, especialmente produtos de origem suína vindos de outros países. A peste suína africana, por exemplo, é altamente resistente e pode sobreviver por longos períodos em carnes processadas ou cruas. Trazer esses itens na mala não é apenas uma infração sanitária, mas um risco biológico severo para a suinocultura brasileira.
O descarte inadequado de sobras de alimentos é outro ponto crítico abordado na campanha da ABPA. Um simples sanduíche contendo presunto ou salame contaminado, se descartado de forma errada e acessado por animais, pode iniciar um foco da doença. A conscientização sobre o que entra na propriedade deve ser total, envolvendo proprietários, técnicos e todos os colaboradores.
Barreiras sanitárias e controle de acesso
A estrutura física da granja deve funcionar como uma fortaleza contra agentes externos durante todo o ano, mas o rigor aumenta agora. O uso correto das barreiras sanitárias, como o pedilúvio e o arco de desinfecção, é inegociável para quem retorna de períodos de folga. Veículos que transitaram por estradas ou cidades devem passar por uma limpeza detalhada antes de se aproximarem dos galpões.
O contato com animais silvestres também deve ser evitado a todo custo, pois eles podem atuar como vetores naturais de doenças. As telas e cercas da propriedade precisam estar íntegras para impedir a entrada de roedores e pássaros de vida livre. O controle de pragas e a manutenção das estruturas são barreiras físicas essenciais que complementam as medidas de higiene pessoal.
O presidente da ABPA reforça que o período de vazio sanitário — tempo sem contato com animais — deve ser respeitado após visitas externas. Essa janela de tempo é fundamental para garantir que qualquer carga viral residual seja eliminada. A pressa em retornar ao manejo diário sem respeitar esse intervalo pode colocar a perder anos de trabalho genético e sanitário.
Responsabilidade compartilhada no setor
A manutenção do status sanitário do Brasil é um passaporte para os mercados mais exigentes do mundo. Ricardo Santin lembra que “o descanso é necessário, mas a responsabilidade permanece”, destacando que a prevenção está literalmente nas mãos de quem produz. Cada atitude individual dentro da propriedade reflete na segurança de toda a cadeia produtiva nacional.
O alerta final da campanha é claro: ajude o mundo na segurança alimentar mantendo a comida na mesa dos brasileiros. Ao proteger sua granja, o produtor não está apenas cuidando do seu negócio, mas garantindo o abastecimento de alimentos. A biosseguridade é o maior ativo da avicultura e suinocultura do Brasil.
O setor segue vigilante e a recomendação é que, na dúvida, o produtor sempre opte pelo excesso de zelo. “Um cuidado simples pode ser decisivo para manter a propriedade segura”, finaliza Santin. A conscientização neste retorno de férias é a melhor vacina contra prejuízos futuros.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo
