LEGADO

Após 40 anos, irmãos deixam a aposentadoria e voltam às origens na avicultura

Após quase 40 anos dedicados ao setor elétrico, Ronaldo e Rogério Cano retornaram às origens. Eles decidiram salvar a pequena propriedade da família através da avicultura tecnológica.

Após 40 anos, irmãos deixam a aposentadoria e voltam às origens na avicultura

O desejo de preservar as memórias da infância mudou por completo o destino dos irmãos Ronaldo e Rogério Cano. Além disso, eles queriam honrar o patrimônio deixado pelos antepassados. Criados no Sítio Dois Irmãos, em Nuporanga (SP), os dois passaram décadas distantes da lida rural.

Ambos construíram carreiras sólidas no setor elétrico. Dessa forma, somaram quase 40 anos de dedicação a cooperativas e grandes companhias de energia. No entanto, assim que a aposentadoria bateu à porta, o chamado da terra natal falou mais alto. Por isso, eles motivaram o retorno ao pedaço de chão que pertenceu aos seus avós e pais.

Ao assumirem a gestão do sítio, os irmãos depararam-se com um grande obstáculo. A área reduzida tornava inviável o cultivo de grãos tradicionais, como a soja e o milho. Contudo, a propriedade estava localizada estrategicamente próxima à Seara JBS.

Por causa disso, os dois enxergaram na avicultura de corte a alternativa ideal para manter o legado vivo. O principal entrave, no entanto, era o alto montante necessário para erguer as instalações. Como a área é pequena, as instituições bancárias não liberavam o crédito por falta de garantias reais para a hipoteca.

Para superar a barreira do financiamento, Ronaldo e Rogério formaram uma aliança estratégica. Eles convidaram para a sociedade o cunhado Leandro e um grande amigo de infância, Marcelo. Esse amigo é um investidor experiente com atuação em múltiplos mercados, como farmácias e postos de combustíveis. Marcelo viu solidez no plano dos irmãos. Portanto, entrou com o suporte financeiro indispensável para destravar os créditos bancários.

Com a parceria firmada, os quatro sócios desenharam um modelo de gestão eficiente. Nesse sistema, cada um assumiu funções com base em suas melhores aptidões. O dia a dia operacional dentro dos aviários ficou sob o comando exclusivo de Rogério Cano. Enquanto isso, Ronaldo Cano assumiu os controles financeiros e a parte burocrática.

Ele aproveitou sua bagagem em administração e pós-graduação em gestão. Na ponta comercial, Leandro ficou responsável pela cotação de equipamentos e manutenção pesada. Marcelo, por sua vez, permaneceu como o esteio financeiro do grupo. Resolvida a estrutura, as obras de terraplanagem foram aceleradas em meados de 2025.

A transição do setor elétrico para as granjas automatizadas exigiu uma curva rápida de aprendizado. Rogério recorda que o primeiro lote foi um verdadeiro batismo de fogo. O volume de tecnologias e sensores dos galpões gerou um bombardeio de informações. Como consequência, isso resultou em noites em claro e telefonemas frequentes para a assistência técnica.

Atualmente, eles estão recém no segundo alojamento. Mesmo assim, o cuidado rigoroso de Rogério com a ambiência rendeu uma grande surpresa. A propriedade estreou figurando no seleto grupo dos 10 lotes de melhor eficiência de toda a região. Além disso, o suporte contínuo oferecido pela integradora foi peça-chave para o sucesso. Desse modo, produtores sem histórico na atividade alcançaram o topo do índice de conversão.

A mudança para o Sítio Dois Irmãos também trouxe melhorias para a vida pessoal de Rogério. A rotina urbana o afastava de casa e, agora, ele vive mais perto daqueles que ama. Sua esposa, Cátia, atua como professora de creche durante a semana.

No entanto, ela se divide voluntariamente nas tarefas da granja aos sábados e domingos. Além do casal, o novo estilo de vida contagiou os filhos, Pedro Augusto e Maria Cecília. As crianças já acompanham o pai nos galpões e começam a criar gosto pela rotina rural.

Hoje, os irmãos sentem um orgulho imenso ao verem os caminhões partirem rumo à exportação. Confiantes no bom andamento dos lotes, os sócios já planejam os próximos passos do complexo. O cronograma financeiro prevê o pagamento total dos investimentos em um prazo de 8 a 9 anos.

Por isso, o grupo estuda antecipar a expansão da propriedade com a construção de mais dois aviários modernos. Assim, eles garantem que o chão dos avós continue próspero por muitas gerações.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.


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