
A avicultura catarinense encerrou 2025 com desempenho histórico no comércio exterior e números expressivos na produção. O estado consolidou sua relevância global ao alcançar recordes em faturamento com as exportações de carne de frango. No entanto, o cenário dentro das granjas é de cautela, com produtores lidando com custos elevados e margens de rentabilidade pressionadas.
Santa Catarina exportou aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de carne de frango em 2025, gerando uma receita de US$ 2,45 bilhões. Os números representam uma alta de 3% em volume e de 6,9% em faturamento na comparação com 2024. O resultado financeiro é o melhor de toda a série histórica, enquanto o volume embarcado posiciona-se como o terceiro maior já registrado.
No mercado interno, a produção manteve a trajetória de crescimento. O estado abateu mais de 910 milhões de frangos ao longo do ano, uma alta de 2,7% em relação ao período anterior. A produção total de carne deve se aproximar de 1,9 milhão de toneladas, reforçando o papel estratégico do setor para a economia catarinense.
Protagonismo nacional e diversificação
No cenário brasileiro, Santa Catarina respondeu por 25,6% da receita e 23,3% do volume total exportado pelo país em 2025, mantendo a segunda colocação no ranking nacional. As cadeias de aves e suínos juntas representam cerca de 31% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
Além do frango de corte, o estado se destaca na produção de patos, marrecos e codornas, além da exportação de penas para mercados da Europa e Ásia. Essa estrutura agroindustrial, que combina tecnologia e integração, permitiu ao estado manter a competitividade mesmo diante de incertezas econômicas e sanitárias globais.
Segurança sanitária e abertura de mercados
A questão sanitária exigiu atenção redobrada em 2025. Após a confirmação de um foco de influenza aviária em aves silvestres no Rio Grande do Sul, mercados como a China adotaram restrições temporárias. Contudo, Santa Catarina preservou sua credibilidade ao manter o plantel comercial livre da doença.
O controle rigoroso permitiu a retomada das exportações no segundo semestre, evitando impactos mais severos. O reforço nas ações de biosseguridade foi decisivo para assegurar a continuidade dos embarques e manter a confiança dos compradores internacionais, reafirmando a sanidade como pilar da competitividade catarinense.
Desafios de custos e rentabilidade no campo
Apesar dos recordes, o ano foi desafiador para o produtor rural. O aumento dos custos operacionais foi impulsionado por um dos invernos mais rigorosos das últimas décadas, elevando gastos com aquecimento das granjas, energia e manejo.
O custo operacional médio por ave subiu de R$ 1,15 em 2024 para uma faixa entre R$ 1,40 e R$ 1,45 em 2025. Como o ajuste na remuneração não acompanhou essa alta, as margens foram reduzidas, especialmente entre pequenos avicultores. O cenário limita novos investimentos e gera insegurança sobre a continuidade da atividade em algumas regiões.
Perspectivas para 2026
O setor projeta um cenário mais favorável para 2026, impulsionado pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, que pode ampliar a competitividade da carne de frango brasileira no mercado europeu via redução de tarifas.
Com a safra de grãos dentro da normalidade e sem sinais de novas altas expressivas nos custos no curto prazo, a expectativa é de aumento na produção interna. A avicultura catarinense inicia o novo ano com bases sólidas, focada no equilíbrio entre a demanda do mercado e a viabilidade econômica no campo.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo
