
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou nesta terça-feira (20) que a China voltou a autorizar as compras de carne de frango do Rio Grande do Sul, suspensas desde julho de 2024, quando o estado registrou foco de Doença de Newcastle.
A liberação é considerada estratégica para a recuperação do setor, que enfrentou restrições ao longo de 2025 e precisou redirecionar embarques para outros mercados.
O presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, salientou que a decisão reflete um esforço conjunto entre governo e cadeia produtiva para atender às exigências sanitárias impostas pelo mercado chinês.
“A reabertura é fundamental para reoxigenar o setor e reduzir os impactos provocados pelos embargos enfrentados nos últimos meses”, afirmou.
Impactos do embargo e retomada gradual
Durante o período de suspensão, as indústrias do estado ajustaram a produção e buscaram novos destinos para os embarques, o que resultou em perdas comerciais e aumento da oferta no mercado interno.
De acordo com Santos, a resposta rápida do Brasil evitou danos mais profundos à cadeia produtiva. Agora, a expectativa é de normalização dos embarques para a China nos próximos dias, após a atualização dos sistemas e a liberação dos certificados sanitários pelas autoridades brasileiras.
Acordo Mercosul-UE
O presidente da Asgav avaliou que o acordo entre Mercosul e União Europeia pode representar uma abertura estratégica de longo prazo para a avicultura gaúcha e brasileira, ao ampliar alternativas comerciais em um cenário global marcado por volatilidade e disputas geopolíticas.
Apesar disso, ele reforçou que o foco imediato do setor segue na retomada responsável das exportações à China, com cautela na produção, garantia do abastecimento interno e reforço dos protocolos de biosseguridade.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também celebrou a suspensão do embargo chinês. Segundo a entidade, o gigante asiático tem papel estratégico para o equilíbrio do comércio internacional do setor.
“A decisão reafirma a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e o reconhecimento internacional do nosso modelo de resposta”, diz a entidade, em nota.
Segundo a ABPA, o processo de reabertura envolveu diálogo permanente com as autoridades chinesas, envio de informações detalhadas, comprovação das ações de controle e erradicação, e alinhamento aos protocolos internacionais de saúde animal.
“Com a reabertura, é concluído mais um passo relevante no processo de normalização plena dos fluxos comerciais, reforçando a posição do Brasil como fornecedor confiável e previsível de proteína animal no mercado global”, finaliza o texto.
