EM MARÇO

Exportações de carne de frango crescem 6% mesmo com efeitos da guerra

Países impactados pelo Conflito do Oriente Médio seguem recebendo produtos, ainda que parcialmente

carne de frango
Foto: Pixabay

As exportações brasileiras de carne de frango in natura e processada totalizou 504,3 mil toneladas em março, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) nesta quarta-feira (8).

O número supera em 6% o total embarcado no mesmo período de 2025, quando foram vendidas ao exterior 476 mil toneladas.

A receita mensal das exportações também registrou recorde. Ao todo, foram US$ 944,7 milhões em março deste ano, número 6,2% maior em relação aos US$ 889,9 milhões no mesmo período de 2025.

De janeiro a março, o volume embarcado pelo setor chegou a 1,456 milhão de toneladas, superando em 5% o total exportado no primeiro trimestre de 2025, com 1,387 milhão de toneladas. Conforme os dados da ABPA, o crescimento é ainda mais expressivo em receita: US$ 2,764 bilhões neste ano, resultado 6,9% maior em relação ao ano anterior.

Principais destinos

A China retomou o ritmo das importações praticadas antes de maio de 2025 (quando ocorreu um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade na produção comercial do Brasil, situação que já foi superada).

Assim, no ranking dos principais destinos em março estão:

  • China: 51,8 mil toneladas (+11,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior);
  • Japão: 42,1 mil toneladas (+41,3%);
  • Arábia Saudita: 38,7 mil toneladas (-5,3%);
  • África do Sul: 33,1 mil toneladas (+21,4%); e
  • União Europeia: 30,7 mil toneladas (+33,7%).

Efeitos da guerra

Em uma análise dos efeitos da Guerra no Golfo Pérsico e o fechamento do estreito de Ormuz, as exportações para os países do Oriente Médio que são destinos da carne de frango do Brasil registraram queda de 18,5% nos volumes embarcados em março deste ano na comparação com o mês de fevereiro, anterior ao conflito.

“Apesar da queda comparativa registrada no Oriente Médio, os expressivos volumes comprovam que o fluxo de exportações segue acessando a região por meio das rotas alternativas. São mais de 100 mil toneladas enviadas aos mercados da região no mês de março, com mais de 45 mil toneladas destinadas aos países diretamente impactados pelo fechamento do Estreito de Ormuz”, analisa o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Segundo ele, as gestões de facilitação realizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo setor têm sido efetivas, garantindo oferta de alimentos para as áreas hoje atingidas pela Guerra do Golfo. “No restante dos mercados, a demanda segue crescente, em especial nos principais destinos da Ásia”, afirma.

Principal estado exportador, o Paraná embarcou 202 mil toneladas, número 5,1% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida estão Santa Catarina, com 109 mil toneladas (+2,7%), Rio Grande do Sul, com 70,7 mil toneladas (+11,9%), São Paulo, com 32,5 mil toneladas (+22,6%) e Goiás, com 26 mil toneladas (+14,8%).

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