SETOR AVÍCOLA

Guerra no Oriente Médio pressiona avicultura e acende alerta para custos e exportações

Setor enfrenta risco logístico, margens apertadas e possível impacto no mercado interno

frango
Foto: Pixabay

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a gerar efeitos sobre a cadeia da carne de frango no Brasil. A região, responsável por cerca de 30% das exportações do produto, enfrenta dificuldades logísticas com o encarecimento dos fretes marítimos e dos seguros, além de restrições em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz.

Segundo o gerente de consultoria agro do Itaú BBA, Cesar de Castro Alves, o impacto inicial recai sobre os exportadores, mas pode chegar ao produtor. “Quando a gente observa uma elevação súbita nos seguros dos navios e nos custos de energia, isso reduz a margem do exportador. No limite, isso pode chegar ao produtor”, afirma.

O cenário também levanta preocupações sobre o escoamento da produção. Caso as exportações para o Oriente Médio sejam prejudicadas, parte da carne pode acabar sendo direcionada ao mercado interno, pressionando os preços. “No limite, sim. Esse excesso tende a vir para o mercado doméstico e, quando isso acontece, os preços cedem”, explica.

Apesar disso, o analista ressalta que os impactos ainda são moderados. “A gente ainda não observa grandes efeitos. Há um leve enfraquecimento nas exportações em março, mas o setor pode estar se reorganizando para redirecionar essas cargas. A cadeia é toda muito conectada”, diz.

Além das dificuldades imediatas, o conflito também acende um alerta importante para o futuro da cadeia produtiva. O Oriente Médio é um dos principais fornecedores de insumos para fertilizantes, e eventuais interrupções podem elevar significativamente os custos de produção no Brasil.

“Mesmo que o conflito termine, os reflexos devem continuar. Algumas capacidades de produção foram afetadas e isso demora para ser reconstruído. O fertilizante tende a ficar mais caro”, destaca.

Esse aumento deve impactar diretamente a produção de grãos, base da ração animal. “Isso eleva o custo da soja e do milho na próxima safra e, lá na frente, vira uma ração mais cara. Não é imediato, mas é uma preocupação relevante”, completa.

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