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Instabilidade elétrica provoca morte de 20 mil aves em granja paranaense

Falhas na rede deixaram de ser pontuais e geram prejuízos milionários em diversas cadeias produtivas do estado, diz presidente da Faep

Instabilidade elétrica provoca morte de 20 mil aves em granja paranaense

A precariedade no fornecimento de energia elétrica no meio rural do Paraná atingiu um ponto crítico. Recentemente, uma granja no estado registrou a morte de 20 mil aves após sucessivas oscilações na rede.

Mesmo com o acionamento do gerador, a chave do sistema elétrico não suportou as variações de tensão, interrompendo a ventilação dos galpões e levando os animais à morte por estresse térmico.

O episódio é um reflexo de um problema que se tornou rotina nas propriedades do estado. Segundo Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), a instabilidade no serviço rural deixou de ser um evento isolado.

“A energia é um insumo essencial. O que antes era pontual, hoje é recorrente, trazendo prejuízos gigantescos para o setor produtivo e para a sociedade”, afirmou o dirigente.

Na avaliação da Faep, o problema pode ser estrutural. Embora existam investimentos em linhas de transmissão, a energia não chega com estabilidade até a ponta, na casa do produtor. Meneguette aponta que algumas subestações enfrentam dificuldades para realizar a distribuição final de forma adequada.

Outro fator que agrava a situação é a deficiência na manutenção preventiva. A proximidade de galhos e árvores em áreas de Preservação Permanente (APPs) e reservas legais com a fiação elétrica tem provocado interrupções frequentes, especialmente em períodos de chuva ou ventos fortes. Da porteira para dentro, o prejuízo se multiplica em equipamentos queimados e perda de produtividade.

Os impactos atingem desde a produção de proteína animal no oeste paranaense até culturas como a do fumo. O dirigente citou o caso de um pequeno produtor da planta que perdeu cerca de R$ 250 mil em uma única safra porque a interrupção da energia durante o processo de secagem das folhas comprometeu toda a qualidade do produto.

A Copel, concessionária que atende o estado e foi privatizada em 2023, tem sido alvo de críticas pela demora no atendimento. Segundo Meneguette, há relatos de produtores que esperam até três dias pela chegada de técnicos. Ele associa essa queda na eficiência à saída de profissionais experientes da companhia e à falta de estrutura para reposição imediata das equipes de campo.

Para tentar salvar a produção, muitos agricultores e pecuaristas tornaram-se dependentes de geradores a diesel. No entanto, essa alternativa eleva consideravelmente o custo operacional da atividade.

“Esse custo adicional com combustível acaba saindo da porteira e, inevitavelmente, chega ao consumidor final”, alerta o presidente da Faep.

Para o setor, se os gargalos na infraestrutura elétrica não forem resolvidos com urgência, a competitividade do agronegócio paranaense estará em risco, impactando diretamente o preço dos alimentos na mesa da população.

Copel

Em resposta às reclamações sobre falhas no fornecimento de energia no meio rural, a Copel afirma que parte das interrupções está relacionada a fatores climáticos e ao contato da vegetação com a rede elétrica. 

Segundo o gerente-executivo de Base de Campo no Oeste da companhia, Carlos Eduardo Galina, cerca de dois terços das ocorrências registradas na área rural têm origem nesse tipo de situação. Ele afirma que a rede de distribuição é majoritariamente aérea e, por isso, fica mais exposta a ventos, tempestades e queda de galhos. “Nos desligamentos e interrupções no meio rural, pelo menos dois terços dos casos são gerados por contato da vegetação com a rede”, disse.

De acordo com o executivo, a concessionária tem reforçado ações de manutenção preventiva, como podas e roçadas, além de firmar parcerias com prefeituras, secretarias municipais e sindicatos rurais para reduzir ocorrências. 

Galina também destaca que eventos climáticos extremos têm pressionado o sistema elétrico no estado, somente nos últimos três meses de 2025, ao menos 12 eventos climáticos severos atingiram o Paraná, incluindo um tornado registrado na região de Rio Bonito do Iguaçu, ressalta o executivo.

*Sob supervisão de Victor Faverin