O manejo no frio é um dos grandes desafios enfrentados por produtores de frango de corte em todo o Brasil. Quando a temperatura cai, o cuidado com o ambiente do aviário se torna essencial para evitar que as aves gastem energia apenas para manter a temperatura corporal.
O especialista em agropecuária da Seara, Mateus Moura, explica como o bom manejo na estação mais fria do ano é determinante para garantir desempenho zootécnico e rentabilidade.
“Se não houver controle adequado de temperatura e umidade, a ave pode usar boa parte da energia da ração apenas para se aquecer. Isso compromete o ganho de peso e afeta diretamente a conversão alimentar do lote”, alerta Moura.
Entendendo como a ave regula a temperatura
A temperatura corporal das aves é regulada principalmente pela crista, barbela e patas, mas é por meio da respiração que ocorre a principal troca de calor. Por isso, a ventilação adequada e a umidade relativa do ar controlada dentro do aviário são tão importantes quanto o aquecimento.
Nos primeiros dias de vida, a ave ainda não consegue produzir seu próprio calor. É a partir da terceira semana que ela desenvolve essa capacidade. É por isso que o aquecimento externo é fundamental no início do lote.
“O que realmente importa é a temperatura da cama, e não apenas do ar”, explica Mateus.
Sistemas de aquecimento a gás, lenha, pellet ou cavaco são comuns, mas o segredo é sempre garantir que a temperatura da cama esteja adequada para que o animal se sinta confortável.
Sensação térmica e consumo de energia
Dentro do aviário, a chamada sensacão térmica é influenciada por três fatores principais: temperatura, umidade e velocidade do ar. Umidade muito alta (acima de 70%) combinada com baixa ventilação pode aumentar a sensação de calor para as aves, gerando desconforto e prejuízos ao desempenho.
É importante lembrar que quanto mais energia a ave usar para se manter aquecida, menos energia sobra para o crescimento.
“A conversão alimentar ideal acontece quando o frango consome pouca ração e ganha muito peso. Por isso, o ambiente tem que ser bem controlado”, reforça o especialista.
Cuidados com os equipamentos e sinais de alerta
Mateus também destaca que o produtor precisa estar sempre atento à manutenção preventiva dos equipamentos de aquecimento e ventilação. Aquecedores mal regulados, vedacão deficiente e cortinas com falhas são fatores que comprometem o conforto térmico dentro dos galpões.
Outro ponto importante é observar o comportamento das aves. Lotes amontoados ou aves muito paradas e apáticas podem indicar estresse térmico ou baixa qualidade do ar.
“Nem sempre o problema é a temperatura. Pode ser excesso de CO2 ou amônia dentro do galpão. A gente precisa olhar para o animal, mais do que para o termômetro”, orienta Moura.
Ventilar é tão importante quanto aquecer
Entre as dicas mais práticas repassadas aos produtores, o especialista reforça:
“Aquecer não é abafar. E abafar não é aquecer”.
Por isso, o dimensionamento dos galpões precisa considerar a temperatura mínima da região. O sistema de aquecimento precisa ser suficiente para manter a temperatura ideal mesmo nos dias mais frios.
O bom manejo no frio exige conhecimento, observação e equipamentos em dia. A combinação desses fatores faz toda a diferença no desempenho dos lotes e na rentabilidade do produtor.
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