Atualmente, cerca de metade do frango exportado pelo Brasil tem o Oriente Médio e o norte da África como destinos. Ao todo, 22 países da região compram o produto tupiniquim, com destaque para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque.
Mesmo com o avanço da produção local, o mundo árabe segue fortemente dependente da carne de aves externa para atender o seu consumo, baseado em padrões halal, ou seja, obedientes aos preceitos de produção da lei islâmica.
De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), Mohamad Mourad, há cinco décadas o Brasil exporta frangos para o Oriente Médio. “O Brasil é um parceiro fiel, um parceiro de longa data que entrega produtos de qualidade com preço.
Então isso é muito importante para eles. Além disso, entrega proteína halal para os países muçulmanos, lembrando que os países árabes, em sua grande maioria, praticam a fé islâmica. Então têm que ser abatidos de acordo com os princípios halal”, contextualiza.
Busca por autossuficiência
Mourad conta que um dos principais compradores da proteína de aves brasileira, a Arábia Saudita, modificou sua estratégia de investimento a partir do documento 2030, que prega a necessidade de aportar recursos dentro do próprio país ao invés de no exterior, como era antigamente. O objetivo é buscar a autossuficiência na produção de diversos bens.
“Então, o país passa a focar mais em investimentos interno e também buscar investimentos do exterior para a Arábia Saudita através de abertura de mercado e através de incentivos para que empresas estrangeiras invistam lá, ou seja, a mensagem foi dada: “querem fazer negócio com a Arábia Saudita, vocês têm que estar aqui”, destaca.
Entretanto, dada a longa relação comercial entre Brasil e países árabes, Mourad acredita que o frango nacional sempre terá espaço do mercado saudita, seja com fabricação local, já que grandes indústrias brasileiras já se estabeleram no país, seja exportando frango ou insumos para a produção local. “Lembrando que o Brasil exportou quase 1 bilhão de dólares de frango no ano passado só para a Arábia Saudita e que as exportações de milho para os países árabes cresceram mais de 20% ano passado”, reforça o secretário.
