
A produção de frangos de corte mudou o rumo da família Meira e se tornou sinônimo de recomeço no interior de São Paulo. Alberto, nascido em Campina do Monte Alegre (SP), sempre teve o campo como referência, mas passou boa parte da vida adulta ligado à cidade grande. Já a esposa Luciana, criada na capital paulista, construiu carreira como médica-veterinária antes de aceitar o desafio de voltar para o interior. Juntos, eles decidiram trocar a estabilidade urbana por um projeto de longo prazo na avicultura.
A primeira oportunidade surgiu em 2011, quando um parente ofereceu um aviário que estava inativo na região. O casal resolveu arriscar, comprou a estrutura e começou a tocar a atividade de forma paralela ao trabalho na capital. Alberto seguia empregado em uma multinacional, enquanto Luciana atuava como veterinária em clínicas e empresas. Mesmo assim, os dois vinham com frequência ao sítio, acompanhando de perto cada lote alojado.
De início, a família contou com o apoio de um funcionário experiente, que ajudou a conduzir o manejo por quatro anos. Esse período serviu para testar a viabilidade econômica da atividade e aprender na prática os detalhes da produção. Em cerca de dois anos, o investimento inicial se pagou, reforçando a confiança do casal. Aos poucos, aquele “teste” se transformou no principal projeto de futuro da família.
A virada de chave: a decisão de viver no campo
Durante seis anos, a rotina da família Meira foi dividida entre São Paulo e Campina do Monte Alegre. Semana após semana, eles conciliavam o trabalho urbano, as viagens para o interior e a gestão dos aviários. Nesse período, além do primeiro galpão, a família construiu mais duas estruturas, ampliando o plantel e fortalecendo a parceria com a integradora JBS/Seara. Os resultados mostraram que a avicultura poderia, de fato, sustentar o sonho de viver exclusivamente no campo.
A decisão mais difícil veio quando o negócio cresceu a ponto de exigir presença diária. Deixar o emprego estável em multinacional, com salário fixo, não foi simples para Alberto. No entanto, ele e Luciana sempre tomaram as decisões em conjunto e, dessa vez, não foi diferente. Primeiro, ele se mudou para Campina do Monte Alegre; depois, ela passou a vir todos os fins de semana, até assumir de vez a rotina da granja.
Com o tempo, a família consolidou duas propriedades dedicadas exclusivamente à avicultura, reunindo sete aviários no total. Em uma delas, Alberto coordena o dia a dia do manejo; na outra, o filho Roberto assumiu a gestão dos três galpões. A marca ALR nasceu justamente dessa união: Alberto, Luciana e Roberto, uma sigla que representa trabalho conjunto, sucessão e identidade familiar na atividade.
Tripé familiar reúne técnica, administração e inovação
Hoje, a estrutura da família Meira envolve nove colaboradores distribuídos entre as duas propriedades. Alberto se dedica à ambiência e ao funcionamento dos aviários, ajustando ventilação, cortinas e equipamentos para garantir o conforto das aves. Ele faz questão de lembrar que “não cria frango, produz carne”, reforçando a responsabilidade com a qualidade do alimento que chega à mesa do consumidor. A prioridade é sempre produzir com sanidade, bem-estar e bom desempenho zootécnico.
Luciana, por sua vez, cuida da parte administrativa e da biosseguridade. A formação em medicina-veterinária facilita o diálogo técnico com os extensionistas da integradora, muitos deles também veterinários. Essa troca de experiências ajuda a ajustar protocolos, reforçar o cuidado com a água, a limpeza e o controle de acesso às granjas. Além disso, ela acompanha custos, resultados e indicadores, garantindo que a gestão financeira caminhe lado a lado com a técnica.
Roberto representa a nova geração e traz a visão da juventude aliada à formação técnica em engenharia ambiental. Ele assumiu os três aviários da segunda propriedade e já implementou melhorias importantes, como o sistema de filtragem e tratamento de água, tema, inclusive, de seu trabalho de conclusão de curso.
Com apoio da tecnologia, o controle da ambiência também ocorre à distância: pelo celular, a família consegue monitorar temperatura, ventilação e ajustes mesmo quando precisa sair para resolver outras demandas.
Reconhecimento e legado: compromisso com a produtividade e o futuro da família
O esforço conjunto da família Meira não passou despercebido. Ao longo dos anos, as duas granjas conquistaram prêmios de desempenho junto à integradora, incluindo reconhecimentos de “melhores do ano” e destaque em produtividade. Na classificação interna, os Meira figuram entre os produtores classe A, resultado de dedicação diária, parceria com a assistência técnica e compromisso em jamais se acomodar com os números.
Os resultados também se traduzem em impacto direto na alimentação da população. Em um dos levantamentos feitos por Alberto, a produção anual de carne das granjas alcançou volume suficiente para alimentar cerca de 380 mil pessoas. Esse dado reforça o orgulho do produtor, que gosta de lembrar que não entrega apenas frango, mas uma proteína acessível, de preparo rápido e importante para a segurança alimentar do país.
Olhar para o futuro significa, para Alberto e Luciana, pensar em sucessão e continuidade. O sonho é ver Roberto consolidado à frente das duas propriedades e, quem sabe, a pequena Aurora, neta do casal, interessada pela atividade no amanhã.
Eles projetam mais aviários, estruturas ainda mais modernas e uma família unida em torno do mesmo propósito. Quando questionado sobre o que mais o deixa orgulhoso, Alberto não hesita: mais do que galpões, resultados ou prêmios, o maior patrimônio é a família que construiu em torno da avicultura.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo
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