A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. O bloqueio obriga a um rearranjo logístico que tende a encarecer custos de produção, como é o caso das exportações de carne de frango halal para o Oriente Médio, mercado em que o Brasil é líder global.
Os exportadores brasileiros utilizam a via para chegar a mercados importantes da região, como Catar, Bahrein, Emirados Arábes Unidos, Arábia Saudita, Iraque e Kwait. No entanto, de acordo com o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira (CCAB), Mohamad Mourad, ainda que o novo fator geopolítico deva certamente trazer impactos para o mundo inteiro, não é a primeira vez que a região passa por instabilidades.
“Os navios armadores estão preparados para rotas alternativas para que esse frango e outros produtos que compõem a segurança alimentar da região cheguem da maneira mais célere possível, seja através de outros portos, seja por via terrestre. Então, acho que os preparos estão sendo feitos para que essas rotas alternativas sejam usadas para que o produto chegue de maneira rápida e com o mais baixo custo possível”, considera.
Mourad salienta que o Canal de Suez e os portos de Omã podem ser alternativas para escoar produtos brasileiros ao continente africano. De acordo com ele, o atual entrave não tem potencial de retirar o protagonismo da proteína animal nacional na região.
“O frango brasileiro tem muitas coisas que jogam a seu favor porque é produzido de maneira eficiente, com alta produção, custo baixo e alta qualidade. Isso tudo reflete em um preço melhor, mais competitivo. O fechamento do Estreito de Ormuz, mesmo que seja de forma temporária, afeta a todos, não só o Brasil. […] Acho que o risco maior não é perder protagonismo, mas fazer com que o produto chegue rápido porque são países que dependem da proteína animal do Brasil para garantir a sua segurança alimentar”, enfatiza.
