MANEJO

Vazio sanitário na avicultura define desempenho do lote e exige atenção redobrada nas granjas

Especialista alerta que falhas no intervalo entre lotes comprometem a biosseguridade e podem elevar as condenações no abate.

Vazio sanitário na avicultura define desempenho do lote e exige atenção redobrada nas granjas

O sucesso de um lote de frangos de corte não começa no alojamento, mas no momento em que as aves do ciclo anterior deixam o galpão. O vazio sanitário, período estratégico de “reset” da produção, é o principal aliado do avicultor para garantir o desempenho zootécnico e o resultado financeiro. Segundo o especialista Ariel Mendes, negligenciar a desinfecção e o preparo do ambiente é o primeiro passo para carregar desafios sanitários que prejudicam o ganho de peso e a conversão alimentar dos novos pintinhos.

Na prática, o intervalo entre lotes — que geralmente gira entre 20 e 21 dias — deve reservar pelo menos 12 dias exclusivos para o vazio sanitário absoluto. A pressão por aumentar o número de ciclos anuais tem levado muitos produtores a encurtar esse tempo, uma prática arriscada que impede a eliminação eficiente de patógenos e compromete a sanidade da próxima remessa da porteira para dentro.

A qualidade da cama é o ponto crítico do vazio sanitário. Se mal manejada, ela se torna um reservatório de bactérias, elevando os riscos de lesões de carcaça e, consequentemente, as condenações no frigorífico. O protocolo ideal exige a limpeza completa e a desinfecção rigorosa, incluindo técnicas de tratamento térmico (como o fermenting ou o uso de lança-chamas) para reduzir a carga microbiológica.

Entretanto, um erro comum entre os avicultores é focar apenas na parte interna do galpão. “Se o produtor prepara as instalações, mas esquece o ambiente externo, ele deixa a porta aberta para a recontaminação”, alerta Mendes. O controle da vegetação no entorno e a limpeza dos pátios são fundamentais para que o esforço de desinfecção interna não seja perdido.

Roedores e o “cascudinho” (Alphitobius diaperinus) são os principais vetores de doenças durante o intervalo sanitário. Eles são capazes de carregar agentes como a salmonela, recontaminando o ambiente mesmo após a aplicação de desinfetantes. O manejo integrado de pragas, com o uso de raticidas e inseticidas específicos logo após a saída das aves, é essencial para proteger a sanidade do lote seguinte.

A atenção à salmonela deixou de ser apenas uma questão técnica para se tornar uma exigência comercial severa. Com mercados internacionais exigindo níveis próximos de zero para o patógeno, o vazio sanitário bem executado passou a ser um diferencial de competitividade e credibilidade para a avicultura brasileira, tanto para o consumo interno quanto para a exportação.

Portanto, o produtor que investe nesse manejo colhe resultados consistentes ao longo do tempo. O vazio sanitário deixa de ser apenas uma rotina e passa a ser uma estratégia essencial dentro da granja.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo