
A trajetória de Ari Tecchio na suinocultura brasileira é um exemplo de quem conhece a cadeia produtiva de ponta a ponta. Após uma carreira de 34 anos na indústria de proteína animal — atuando desde a assistência técnica até a gestão de projetos — o catarinense decidiu trocar o crachá de executivo pelo desafio de ser produtor.
Hoje, aos 67 anos, Tecchio comanda uma estrutura de alta tecnologia em Glória de Dourados, sudoeste de Mato Grosso do Sul. A propriedade abriga três núcleos produtivos, totalizando 12 galpões climatizados com capacidade para alojar cerca de 33 mil animais.
O projeto, que saiu do papel em 2017, transformou décadas de conhecimento teórico em uma das operações mais eficientes da região.
Empreendedorismo no campo
Natural de Seara, Santa Catarina, berço da suinocultura nacional, ele formou-se técnico em agropecuária em Concórdia e iniciou sua vida profissional em 1982. Como extensionista rural, orientou centenas de produtores sobre manejo e viabilidade de granjas.
Ao longo dos anos, acumulou passagens por setores estratégicos como compras, logística e infraestrutura de produção.
Mesmo com a carreira consolidada no setor corporativo, o desejo de ter o próprio plantel nunca adormeceu. Ao encaminhar a aposentadoria em 2016, Tecchio decidiu investir. Em menos de oito meses, os primeiros quatro galpões estavam prontos para receber o primeiro lote de suínos, marcando o início de uma nova fase da porteira para dentro.
Tecnologia e resultados de elite
A experiência na indústria moldou um produtor focado em indicadores. A granja aposta em sistemas automatizados de temperatura, climatização de precisão e monitoramento constante da conversão alimentar. Esse rigor na gestão reflete nos resultados: a propriedade figura frequentemente entre as melhores da integração e já foi premiada no SuperAgro pelos seus índices produtivos.
Atualmente, a operação emprega 14 colaboradores. Segundo técnicos que acompanham a unidade, o diferencial do sucesso do suinocultor está na combinação entre o cuidado com as pessoas e a disciplina administrativa, tratando a atividade rural com o profissionalismo de uma grande empresa.
Gestão familiar e inovação para o futuro
A continuidade do negócio já está garantida com a participação do filho, Aloísio, que assumiu a gestão operacional. Enquanto Ari Tecchio foca no planejamento estratégico, o filho monitora o desempenho diário dos lotes e a liderança das equipes.
A fazenda também se destaca pelo investimento em sustentabilidade e inovação. A estrutura conta com painéis solares, biodigestores e até o uso de robótica para auxiliar na contagem de animais durante o alojamento e carregamento. Para a família, a sucessão é um processo de troca: une-se a experiência de Ari com a abertura de Aloísio para novas ferramentas digitais de controle.
Mais do que um negócio rentável, a granja representa a realização de uma vida dedicada à proteína animal. Depois de passar décadas ajudando outros produtores a crescerem, Tecchio agora colhe os frutos do próprio suor e vê o legado continuar nas mãos da próxima geração.
*Sob supervisão de Victor Faverin
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