MUDANÇA DE VIDA

Patriarca deixa setor financeiro e transforma suinocultura em legado familiar

Sebastião Pelim entrou de cabeça na criação de suínos e despertou amor dos filhos pelo setor

Patriarca deixa setor financeiro e transforma suinocultura em legado familiar

A suinocultura transformou a rotina da família Pelim em Glória de Dourados, em Mato Grosso do Sul. Seu Sebastião sempre carregou o campo no coração e buscou uma atividade que desse estabilidade aos filhos.

Depois de uma vida marcada por trabalho no comércio e no setor financeiro, ele decidiu investir na produção de suínos. A escolha trouxe uma nova forma de produzir, gerar renda e construir um legado familiar.

A história dele começa no interior de São Paulo, em Piquerobi, e passa por perdas e mudanças ainda na infância. Após a morte do pai, foi morar com os avós e, mais tarde, voltou ao sítio com a mãe e o padrasto, que trabalhava com leite e porcos. Esse contato com o campo deixou marcas profundas, mesmo quando a família retornou para a cidade. Aos 20 anos, Sebastião decidiu seguir seu próprio caminho e se mudou para o Mato Grosso do Sul.

Em Glória de Dourados, ele buscou independência e abriu negócios, passando por açougue, mercado e compra de terras. Com o tempo, veio a preocupação com o futuro dos filhos e com a continuidade do patrimônio construído. Foi nesse momento que a suinocultura entrou como estratégia de vida e de sucessão. A família abraçou a ideia e começou a planejar a granja como um empreendimento estruturado.

A decisão de entrar na suinocultura não aconteceu por acaso, mas por visão de oportunidade e por perfil empreendedor. Sebastião Pelim afirma que sempre evitou fazer as coisas “pela metade” e que se dedica de corpo e alma ao que assume.

Ele buscou uma atividade que combinasse retorno econômico e possibilidade de envolver os filhos no dia a dia. Além disso, observou o fortalecimento da suinocultura na região e o impacto positivo na renda dos produtores locais.

A primeira unidade foi construída em 2022 e exigiu um mergulho completo na atividade. A obra demandou acompanhamento constante, mudanças na rotina do comércio e foco total da família na estruturação do projeto.

Com a granja pronta, o alojamento do primeiro lote marcou um momento emocionante, com direito a foto e registro da chegada dos leitões. A operação, então, passou a seguir um ritmo intenso e contínuo, com ciclos programados e metas de desempenho.

A estrutura escolhida foi a Unidade Produtora de Leitões (UPD), com cerca de 3 mil fêmeas ativas. Na prática, a granja realiza inseminação, gestação, maternidade e desmame, encaminhando os leitões para outros produtores na fase seguinte. O sistema trabalha com desmames a cada três semanas, com volumes que podem chegar a milhares de leitões por lote. O modelo exige equipe preparada, rotina bem definida e controle rigoroso de manejo.

A parceria com a integração aparece como um dos pilares do avanço da família Pelim. Segundo Sebastião, o acompanhamento começa ainda na construção, evitando erros de posição, dimensionamento e estrutura.

Depois, os técnicos orientam manejo, alojamento e rotinas sanitárias, reduzindo riscos e acelerando a curva de aprendizado. Esse suporte contribuiu para que a granja se mantivesse entre as melhores em desempenho, o que fortalece o orgulho do produtor e a confiança no projeto.

Dentro da porteira, a família divide as funções para manter a operação organizada. O filho Bruno Pelim atua na parte estrutural e em serviços externos, resolvendo demandas que surgem diariamente na granja. A filha Isabela cuida da burocracia, documentos, RH e financeiro, além de manter apoio parcial ao comércio da família. Dona Leonilda, a esposa, participa do suporte externo e ajuda na rotina prática, mantendo o elo de união entre as áreas.

O estilo de liderança também chama atenção, com foco em respeito e ambiente de trabalho saudável. Seu Sebastião afirma que trata funcionários com companheirismo e valoriza o diálogo durante a rotina. Ao mesmo tempo, ele reforça disciplina e presença constante, porque a produção intensiva não admite descuido. Assim, a gestão ganha consistência e sustenta resultados duradouros.

A suinocultura mudou o olhar da família para o futuro e acelerou o plano de sucessão. Isabela destaca que não pretendia voltar para trabalhar com o pai, mas o projeto na granja e a ideia de construir um legado para ela e o irmão a motivaram.

Bruno, por sua vez, assumiu a responsabilidade de acompanhar a obra da segunda unidade e se dedicar ao campo em tempo integral. A família aponta que trabalhar junto é desafiador, mas cria harmonia e fortalece a missão coletiva.

Além do impacto familiar, a suinocultura também movimenta a economia local e ajuda a manter a região ativa. A própria família reconhece que grande parte da renda do município gira em torno da atividade, o que aumenta o senso de responsabilidade. Para eles, a evolução depende de conciliar a experiência com a tecnologia disponível hoje. Essa combinação, na visão da família, é o que permite crescer com segurança.

Ao falar de legado, Sebastião resume o que quer deixar para as próximas gerações: justiça, honestidade, trabalho e fé. O conselho dele para quem deseja entrar na suinocultura é direto e simples: entrar com amor e compromisso, não apenas por dinheiro. Com a segunda unidade em construção e planos de ampliação, a família Pelim mostra que a atividade pode ser um caminho sólido para prosperar no campo.


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