INFRAESTRUTURA E MANEJO

Saiba como aproveitar de maneira eficiente o potencial genético do plantel

Especialista aponta que alinhamento entre estrutura, ambiência e manejo é essencial para transformar avanço genético em produtividade e rentabilidade nas granjas

Reprodução Interligados
Reprodução Interligados


A suinocultura brasileira avançou de forma nos últimos anos, principalmente no que diz respeito à genética dos animais. Com um potencial produtivo cada vez maior, os suínos exigem também melhores condições de manejo e infraestrutura. Nesse cenário, surge um questionamento: as instalações estão acompanhando essa evolução? O uso de estruturas e materiais ultrapassados ainda é um entrave importante e pode comprometer diretamente o desempenho dos animais e o resultado financeiro do produtor.

Diante disso, a modernização das granjas deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser uma necessidade. Mais do que investir alto, o foco está em construir melhor, escolher materiais adequados e realizar ajustes inteligentes que tragam retorno prático no dia a dia da produção.

Segundo o especialista em construção e ambiência na suinocultura, Felipe Luckow, o Brasil tem apresentado avanços importantes na última década, impulsionados pelo crescimento do setor. “A suinocultura brasileira deixou de ser uma atividade de subsistência e se tornou uma indústria de alta tecnologia”, destaca. Esse movimento acompanha o protagonismo do país no cenário global, hoje entre os maiores produtores e exportadores de carne suína.

Apesar disso, o desempenho dentro das granjas ainda esbarra em gargalos que vão além de um único fator. Estrutura, ambiência e acesso à informação precisam estar alinhados. Quando há falhas em qualquer um desses pontos, o potencial genético dos animais não é plenamente aproveitado. Problemas como estresse térmico, por exemplo, reduzem o ganho de peso e comprometem a eficiência produtiva.

Outro ponto crítico é a falta de equilíbrio entre construção e ambiência. Uma instalação bem estruturada, mas com ambiente inadequado, pode gerar perdas. Da mesma forma, investir em ambiência sem uma base construtiva eficiente limita os resultados. “Tudo precisa caminhar junto para que o produtor consiga transformar potencial em produtividade”, explica o especialista.

Mesmo com o aumento dos custos de construção nos últimos anos, há alternativas viáveis para quem deseja melhorar a granja sem grandes investimentos. Medidas como ventilação natural bem manejada, uso correto de cortinas, telhados com menor troca térmica, arborização e instalação de aspersores ajudam a reduzir o estresse térmico e melhorar o conforto dos animais.

Além disso, ações simples e de baixo custo podem gerar grande impacto, como o reforço na oferta de água, frequentemente negligenciada, ajustes na rede hidráulica e adoção de práticas como o vazio sanitário e a limpeza adequada das instalações. Pequenas reformas também contribuem para melhorar o ambiente e o bem-estar dos suínos.

O tema da modernização segue ganhando espaço no setor e será destaque na quarta edição da feira Agroexperts, que acontece no dia 17 de abril, em Boituva (SP). O evento deve reunir produtores, técnicos e empresas para discutir soluções e inovações voltadas às cadeias de aves e suínos, reforçando a importância de alinhar tecnologia, manejo e infraestrutura para manter a competitividade da atividade.