
A história do seu Odair Tofanin com a terra começou literalmente na lida diária do campo. Nativo de Jarinu (SP), ele costuma brincar que sua mãe deu à luz debaixo de um pé de uva, onde os filhos ficavam acomodados em cestos de vime enquanto os pais trabalhavam na roça.
Com o passar dos anos, a família comprou o Sítio Santa Luzia, em Bragança Paulista (SP), e em 1996 seu Odair assumiu a propriedade sozinho. O local, que antes era apenas pasto, logo ganhou o colorido das plantações de poncã, pêssego e da tradicional uva.
Contudo, o faturamento da fruticultura era muito instável e deixava buracos no orçamento ao longo do ano. Diante disso, em 2012, Odair decidiu investir na avicultura de corte para buscar uma renda mais garantida.
O começo da atividade foi tocado pelo pai e filho, Diego. Como nenhum deles tinha experiência com aves, o medo de perder o lote por qualquer falha tirava o sono de todo mundo. Nas primeiras semanas, eles não saíam de dentro do galpão e vigiavam o painel elétrico até a meia-noite, com medo de o sistema automático falhar.
Além disso, Diego chegava a acordar assustado no quarto achando que ouvia o barulho dos pintinhos. Depois de seis anos de trabalho familiar, a engrenagem funcionou bem e a granja trouxe a estabilidade que eles tanto buscavam.
O estalo que quase virou tragédia
Apesar do sucesso inicial, o teste mais duro da trajetória dos Tofanin aconteceu em 2020. Uma granja nova, que estava apenas no seu quinto lote, desabou como um dominó devido a erros de cálculo da construtora. No momento do estalo, seu Odair e Diego trabalhavam dentro do núcleo. O pai só sobreviveu porque correu para perto de um pilar de concreto, que segurou o peso do forro a poucos centímetros do chão.
Ainda assim, o prejuízo foi avassalador para o bolso. Eles precisaram sacrificar 42 mil frangos com 18 dias de vida e, somado a isso, foram enganados pelo construtor, que prometeu reerguer a estrutura, fez a família gastar o que não tinha e depois sumiu.
Ver aquele monte de ferro retorcido no chão trazia uma angústia diária no peito. Todavia, apoiados na fé e no abraço dos amigos da região, os Tofanin encontraram forças para buscar o prejuízo na justiça e reconstruir a operação do zero.
Manejo sem antibiótico e o orgulho das três gerações
Superada a tempestade, o Sítio Santa Luzia hoje colhe os frutos de um manejo de excelência com a integradora Seara. A propriedade foca no chamado “frango verde”, criado com rigorosos controles de biosseguridade que incluem banho, troca de roupas e vazio sanitário rigoroso para visitas e sem o uso de antibióticos. Esse capricho com a ambiência, a água e a temperatura rendeu à família o primeiro lugar no prêmio Superagro de Amparo em 2020, além de pódios constantes como criadores do mês.
Hoje, aos 63 anos, seu Odair olha para a janela e vê o trabalho multiplicado. O frango que sai de Bragança Paulista viaja para alimentar famílias fora do país. O maior prêmio da fazenda, no entanto, é ver as três gerações unidas no mesmo balcão.
Diego lidera a operação moderna e as netas já começam a pegar gosto pela rotina do agro. Satisfeitos com a segurança que o ciclo de 40 dias do frango proporciona, os Tofanin já fazem planos para o futuro: assim que quitarem os financiamentos atuais, o plano é erguer o terceiro aviário e expandir ainda mais o legado da família.
Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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