
O mercado de postura brasileiro registra a tradicional valorização sazonal com a chegada da Quaresma. O movimento, impulsionado pela substituição da carne bovina por proteínas alternativas, coloca o ovo como protagonista na mesa do consumidor e pressiona a oferta nas principais regiões produtoras. Segundo dados do Cepea, a produção ajustada tem feito com que muitas granjas operem apenas com cargas previamente programadas, evidenciando um cenário de demanda aquecida e estoques baixos.
Para o avicultor, o período é de oportunidade, mas também de alerta. Diferentemente de outras commodities, a alta perecibilidade do ovo impede o represamento da produção à espera de preços ainda maiores. Na prática, o planejamento precisa ser antecipado, com o ajuste de alojamento de lotes para que o pico de produção coincida com as semanas de maior consumo, garantindo o escoamento ágil e a maximização das margens.
Oscilações de mercado e o peso dos insumos
Apesar do otimismo sazonal, o comportamento dos preços em 2026 apresenta uma dinâmica distinta da observada em anos anteriores. Em 2025, o mercado viveu um cenário atípico: com exportações recordes que ultrapassaram 40 mil toneladas, a oferta interna encolheu e os preços em polos como Bastos (SP) romperam a barreira dos R$ 200 por caixa de 30 dúzias.
Neste ano, embora a demanda esteja firme, os preços no início da Quaresma orbitam a casa de R$ 160. Esse patamar exige uma gestão rigorosa dos custos de produção, especialmente com milho, soja e logística. O aumento no valor do diesel tem forçado uma regionalização das vendas, onde o produtor prioriza mercados próximos para mitigar as despesas de transporte e preservar a rentabilidade líquida do lote.
Estratégia comercial e consumo contínuo
A estratégia do setor tem sido desmistificar a dependência exclusiva da Quaresma. A mudança nos hábitos alimentares do brasileiro, que passou a enxergar o ovo como uma proteína prática e acessível para o dia a dia, ajuda a sustentar a demanda ao longo de todo o calendário, reduzindo o impacto da queda de consumo que historicamente ocorria após a Páscoa.
Mesmo com essa consolidação, o desafio da porteira para dentro permanece o mesmo: eficiência produtiva. O produtor que investe em ambiência e nutrição de precisão consegue entregar um produto com melhor classificação, garantindo preços diferenciados no atacado. Em um mercado onde o preço é ditado pelo giro rápido, o planejamento e o monitoramento constante das bolsas de comercialização seguem sendo as principais ferramentas de sobrevivência e lucro na avicultura de postura.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo
