
Na avicultura moderna, a tecnologia deixou de ser apenas uma tendência para se tornar o braço direito do produtor dentro dos galpões. Ferramentas como sistemas automatizados, sensores de umidade e monitoramento em tempo real hoje transformam a rotina do campo.
No interior de São Paulo, a avicultora Luciana Dalmagro é um exemplo dessa virada. Ela investe pesado em soluções inteligentes que ajudam desde o trato diário até o controle dos índices zootécnicos. Com o ambiente na temperatura e umidade exatas, as aves consomem menos água e ração, o que melhora a conversão alimentar e engorda o lucro de quem produz.
Um dos saltos mais comemorados no setor foi a mudança no sistema de aquecimento dos aviários. Antigamente, o operador precisava abastecer as caldeiras com lenha de forma totalmente manual na madrugada. Hoje, contudo, as fornalhas dão lugar a campânulas automatizadas por irradiação.
Do mesmo modo, os modernos controladores de ambiência funcionam como computadores de bordo afiados. Eles ligam os exaustores ou as placas evaporativas sem depender do olho do operador. Outra novidade simples e barata é o uso de câmeras de internet espalhadas pelo teto. Essa central de observação economiza tempo e evita que o produtor precise entrar no núcleo a todo momento para checar vazamentos.
O fator humano continua soberano
Toda essa engrenagem tecnológica dá o suporte necessário para que o frango de corte expresse seu potencial genético máximo. Atualmente, o mercado já registra marcas impressionantes de conversão alimentar na casa de 1,4 kg de ração para cada quilo de carne produzido. Trata-se de um índice que parecia impossível no passado.
Ainda assim, Luciana reforça que a máquina não faz milagre sozinha. Sem o braço humano e o olhar clínico do produtor para coordenar a nutrição e regular os aparelhos, a operação desanda. Na avicultura, o fator humano continua soberano.
Crédito caro afasta o produtor dos novos projetos
Por outro lado, tirar esses projetos do papel tem esbarrado em uma barreira complexa. O grande impasse para a modernização das granjas e a construção de novos alojamentos é o custo do dinheiro no Brasil. Com os juros e o crédito caros, o investimento assusta. Como resultado, muitos avicultores adiam a reforma tecnológica das propriedades.
Diante dessa trava financeira, a recomendação para o produtor é jogar colado com as agroindústrias integradoras. Muitas empresas oferecem linhas de incentivo ou parcerias conjuntas que deixam o financiamento dos equipamentos mais atraente. Essa união de forças entre o campo e a fábrica ajuda a mitigar o peso dos juros e garante a competitividade da carne brasileira no mercado.
*Sob supervisão de Giovanni Porfírio.
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