
Os Estados Unidos lançaram, no início deste ano, a atualização oficial de suas diretrizes alimentares, com mudanças importantes na forma de orientar a população sobre hábitos alimentares. O novo modelo reforça a importância do equilíbrio nutricional e coloca a qualidade da dieta no centro das políticas públicas de saúde.
Uma das principais alterações está na estrutura da chamada pirâmide alimentar. Diferentemente do modelo anterior, que tinha os carboidratos como base, a nova diretriz passa a priorizar proteínas e vegetais.
Na base da pirâmide aparecem as proteínas de origem animal, os laticínios e as gorduras consideradas mais saudáveis, ao lado de frutas e vegetais. Os grãos integrais ficam em uma posição mais restrita, no topo da estrutura.
Segundo a nutricionista Fabiana Borrego, as proteínas de origem animal têm papel fundamental nesse novo cenário nutricional.
“São proteínas de alto valor biológico, ou seja, prontas para serem absorvidas pelo organismo. Elas contêm os nove aminoácidos essenciais, o que dispensa a necessidade de combinações com outros alimentos para suprir essas necessidades”, explica.
Preocupação com os carboidratos
Segundo Borrego, a mudança no protagonismo dos carboidratos está diretamente ligada à preocupação com o consumo excessivo de carboidratos ultraprocessados e refinados.
Embora os carboidratos sejam importantes como fonte de energia, o foco da restrição está nos carboidratos simples, presentes em alimentos com baixo valor nutricional. Já os carboidratos integrais seguem recomendados, mas em menor proporção.
Proteínas animais
Outro ponto de destaque das novas diretrizes é o incentivo à escolha consciente dentro do grupo das proteínas animais. De acordo com Borrego, a recomendação é priorizar alimentos que, além do alto valor biológico, ofereçam gorduras consideradas benéficas à saúde, como é o caso do salmão, dos ovos e das aves.
Essas opções são fontes de ômega-3, ômega-6 e gorduras mono e poli-insaturadas, associadas a melhores resultados metabólicos.
Princípios já adotados no Brasil
A nutricionista Fabiana Borrego avalia que a nova pirâmide alimentar dos Estados Unidos faz sentido e dialoga com diretrizes já adotadas no Brasil.
Segundo ela, o modelo se aproxima do Guia Alimentar para a População Brasileira ao priorizar alimentos in natura e reduzir o consumo de ultraprocessados, seguindo o princípio de “descascar mais e desembalar menos”.
Fabiana Borrego destaca ainda que as recomendações nutricionais devem ser individualizadas, levando em conta idade, rotina, nível de atividade física e biotipo.
