
A Universidade Federal do Paraná desenvolve o Projeto Porco Moura, iniciativa que aposta em sistemas de criação diferenciados de suínos para gerar uma proteína de maior valor agregado.
A iniciativa começou como uma produção tradicional de subsistência, mas hoje ganha força com a comercialização de cortes especiais e carnes nobres.
De acordo com o professor e coordenador do projeto que existe desde 1985, Marson Bruck, um dos diferenciais do projeto é o tempo dedicado à fase de engorda dos animais: enquanto na produção de larga escala esse período é de, em média, 150 dias, no Projeto Porco Moura são destinados, ao menos, 300 dias.
A raça do porco moura, criada ao ar livre, apresenta alto teor de gordura e rusticidade, sendo bem adaptada ao frio e ao sol do Sul do país. Bruck conta que o sistema exige a manutenção da qualidade do solo e da diversidade de pastagens, além da existência de árvores frutíferas.
“Preciso de sombra com árvores nativas que consigo trazer mesmo em um sistema que já foi implantado, podendo ser transformado gradativamente em um sistema de conservação de espécies nativas brasileiras que estão em risco, especialmente as locais que, em nosso caso, de Mata Atlântica de altitude, é a floresta de araucária”, conta.
Biosseguridade para pequena escala
Com a evolução da produção industrial, os protocolos de sanidade e biosseguridade passaram a atender sobretudo os grandes sistemas intensivos. No entanto, para melhorar a criação de pequena escala, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), em parceria com universidades, desenvolveu a Portaria nº 205/2025, voltada a normas e protocolos de qualidade e segurança do produto final.
A vice-coordenadora e responsável técnico pelo projeto, Juliana Sperotto Brum, conta que a primeira questão abordada pela norma é sobre o tamanho máximo que criações comerciais ao ar livre podem ter.
“Você tem que criar os animais isolados. Esses animais não podem ter contato com outros. Questões relacionadas às visitas, ao vazio sanitário [são outro ponto abordado]. Então, por exemplo, quanto tempo que as pessoas que vão visitar essa propriedade precisam ficar sem contato com outros suínos para não levar agentes de uma propriedade para outra. Ela [a norma] é importante porque o produtor vai precisar ter um registro de tudo o que ele faz com esses animais. Então, essa portaria vem delimitar essa criação para que a gente consiga ter uma segurança sanitária”, detalha.
Exigências da norma
Primeira do tipo no Brasil, a Portaria da Adapar exige cercas de isolamento adequadas, estrutura de manejo definida, controle de pragas, verificação da qualidade da água, além de regras de higiene, espaço mínimo por animal e registro de informações sanitárias essenciais.
Além disso, a medida permite a regularização destas criações tradicionais e agroecológicas, garantindo a segurança sanitária e o acesso a novos mercados para os produtores.
Com a portaria para criações ao ar livre, publicada em junho de 2025, o Paraná é atualmente o único estado brasileiro que conta com normas de biosseguridade em toda a cadeia de suínos, abrangendo todos os tipos de sistemas de criação.
“Então a gente tem a normativa de bioseguridade do Ministério da Agricultura com relação a reprodutores, que abrange todo o Brasil. Mas o Paraná se diferencia porque ele tem a portaria 265 para as criações comerciais confinadas e é o único estado brasileiro que tem a portaria 205, que é de biosseguridade para as criações ao ar livre”, destaca Juliana.
Nesse sistema, assim como nos demais, a rastreabilidade e a certificação são fundamentais para assegurar ao consumidor a procedência e a qualidade da carne. “Nós cuidamos do criador, de todo o manejo de como esse animal foi alimentado e como ele foi criado. E isso é fundamental e importante para a qualidade do produto. Na indústria, da mesma maneira.
E quando esse produto chega para o consumidor, nós garantimos a origem, a procedência e a qualidade. Ele consegue ter toda a experiência de um produto diferenciado”, ressalta o zootecnista Charles Novinski.
