SUCESSÃO FAMILIAR

Após 12 anos tocando granja sozinha, produtora passa o comando para o filho e vê negócios crescerem

Após conduzir sozinha a granja enquanto cuidava da família, produtora catarinense celebra o retorno do filho ao campo para profissionalizar o legado.

Após 12 anos tocando granja sozinha, produtora passa o comando para o filho e vê negócios crescerem

A trajetória de Maria Elisa, em Orleans (SC), é um testemunho de resistência. Durante 12 anos, ela foi o rosto e a força por trás de uma granja de 30 mil aves, assumindo a liderança em um setor majoritariamente masculino. Vinda de uma rotina exaustiva na lavoura de fumo e milho, onde a tração animal e o trabalho manual eram a regra desde seus 11 anos de idade, Elisa encontrou na avicultura, em 2012, a oportunidade de mudar o destino da família e abandonar as incertezas das safras a céu aberto.

O início foi um mergulho no desconhecido. Sem experiência prévia, ela aprendeu o manejo na prática, chegando ao extremo de dormir dentro do aviário para garantir o controle térmico dos pintinhos. Tudo isso enquanto conciliava a produção intensiva com o cuidado de pais doentes e as demandas da casa. “Foi um período de muito desafio, mas de muito aprendizado”, recorda a produtora, que se tornou referência em dedicação dentro do sistema de integração.

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A história de Maria Elisa ganhou um novo capítulo em 2023, quando o filho Guilherme decidiu trocar a vida na cidade pelo retorno às raízes. A sucessão familiar, muitas vezes um gargalo no campo, aconteceu de forma planejada. Guilherme trouxe o fôlego da juventude e o foco exclusivo na técnica, transformando a gestão da granja climatizada em uma operação de alta performance.

Com a entrada do filho, a propriedade atingiu novos índices de produtividade. A divisão de tarefas permitiu que Maria Elisa seguisse como mentora e braço direito, enquanto Guilherme aplica o rigor técnico exigido pela indústria. Essa união entre a experiência de quem “sentia” o lote noites a fio e a visão moderna de quem busca eficiência máxima resultou em premiações e no reconhecimento da qualidade do frango produzido em Orleans, que hoje abastece mercados no Brasil e no exterior.

Para Dona Elisa, o maior troféu não são os prêmios de produtividade, mas ver o filho prosperando na terra que ela defendeu sozinha por mais de uma década. A avicultura proporcionou à família não apenas estabilidade financeira, mas o orgulho de pertencer a uma cadeia global de alimentos. A transição da enxada e da tração animal para os painéis de controle da granja climatizada simboliza a evolução da mulher no agro e a força da sucessão familiar catarinense.

Hoje, a Família Elisa olha para o futuro com a segurança de quem construiu um legado sólido. O plano é consolidar os ganhos de eficiência e, quem sabe, expandir. Mas o objetivo principal já foi alcançado: manter a família unida no campo, com a certeza de que a produção de alimentos é um propósito de vida que atravessa gerações.


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